sexta-feira, 20 de julho de 2012

De casarão a centro cultural

 A revista Veja São Paulo, na sua edição de nº 2278, de 19/07/12, fez matéria sobre antigas casas que viraram Centros Culturais, locais que foram listados neste blog há tempos. 

Faltaram o Casarão do Belvedere, do meu amigo Paulo Goya, que há anos está tentando captar recursos para restaurar o imóvel que pertenceu a sua família; a antiga Casa de Ramos de Azevedo que não é um centro cultural, funciona a editora Global, mas está impecável na sua preservação; a casa da família Buarque de Hollanda no Pacaembú, entre outros lugares.

A notícia boa, que talvez o imóvel que pertenceu a familia Franco de Mello, de 1919, poderá se transformar no Museu Maurício de Souza. Tomara!!!!


Enquanto isso o Palacete do Barão do Rio Pardo,  na Alameda Barão de Piracicaba, nos Campos Elíseos, está caindo aos pedaços, sem telhado, já desabou uma parte. Alô, Alô Conpresp e Condephaat. Cadê o Ministério Público, fazer valer esta preservação?

 

Campos Elíseos 

Foto: Hélio Bertolucci Jr., feita em dezembro de 2009 




  
 Reprodução: Google Street View, janeiro de 2011


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Conheça construções famosas em São Paulo que foram transformadas em museus e espaços de atividades artística.


Anna Carolina Oliveira | 14/07/2012

Casarão tombado - Casarão da Avenida Paulista-Futuro: o destino do endereço está em fase de negociação
Futuro: o destino do endereço está em fase de negociação
Reprodução

Tombado em 1992, o palacete instalado no número 1919 da Avenida Paulista foi construído em 1905 e passou por algumas gerações da família Franco de Mello. Hoje, outros já estão de olho no espaço. Trata-se de Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, personagens da turma de Mauricio de Sousa.

O destino do endereço ainda está em negociação, mas a ideia é transformá-lo em um museu, com arte original, revistinhas e brinquedos. "A [avenida] Paulista tem poucas opções para crianças. Queremos inaugurar um espaço que atraia esse público e o incentive a visitar outros acervos, como o do Masp", afirma Jacqueline Mouradian, curadora da Mauricio de Sousa Produções. Com a recente decisão na Justiça que obriga o Estado de São Paulo a indenizar pelo tombamento do casarão a família proprietária, o projeto está em espera. Se o acordo com o cartunista for fechado, o local passará por uma grande reforma, preservando a fachada e estrutura do imóvel. "A conclusão de todo o projeto levaria cerca de seis anos", explica Jacqueline.
Esta não é a primeira vez que uma construção antiga de São Paulo ganha um fim cultural. Outras passaram pelo mesmo processo de tombamento e tiveram a fachada conservada, com o interior completamente transformado.


Conheça, abaixo, três casarões e uma residência histórica que receberam novas funções:

- Casa da Rua Lopes Chaves
Rua Lopes Chaves, 546 - Barra Funda
O que hoje funciona como a Oficina da Palavra Casa Mário de Andrade, espaço de atividades artísticas e culturais, deveria, na verdade, abrigar um acervo completo do escritor modernista. Quando tombada em 1975, a propriedade tinha o objetivo inicial de ser transformada em uma casa-museu. "Infelizmente, os móveis originais e outros pertences foram doados, então não foi possível concretizar o projeto", explica Carlos Augusto Mattei Faggin, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e conselheiro do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico — CONDEPHAAT. Ao contrário de outros casarões, a moradia do artista estava instalada em um bairro popular. "A casa é geminada e de estilo mais simples, porém tem um valor simbólico grande para São Paulo. Mário de Andrade viveu quase toda a sua vida lá", afirma o também arquiteto e urbanista.

- Casarão da Alameda Cleveland
Alameda Cleveland, 601 - Campos Elíseos
Desde a sua construção, em 1890, a estrutura que abriga atualmente o Museu da Energia já passou por muitas mãos. As mais importantes foram a de seu segundo proprietário, Henrique Santos Dumont. O irmão do famoso inventor do avião comprou o lugar em 1894. "O próprio Alberto Santos Dumont passou uma temporada na residência", conta Maria Lucia Bressan Pinheiro, professora de História da Arquitetura na FAU-USP. Naquela época, o casarão era considerado nobre, pois estava situado no primeiro bairro de luxo da cidade, "Campos Elíseos", uma homenagem à célebre avenida francesa Champs-Elysées. Depois de ficar abandonado e até ser invadido por mendigos, o palacete foi tombado em 2002 e hoje é responsabilidade da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo.

- Casarão da Avenida Paulista
Avenida Paulista, 37 - Paraíso
A construção é uma das muitas de autoria de Ramos de Azevedo, renomado arquiteto paulistano. A diferença é que a obra tem um valor sentimental: foi um presente de casamento para sua filha Lúcia e o genro Ernesto Dias de Castro. Quando tombado em 1985, o imóvel teve sua área dividida e o terreno com a residência passou a abrigar a Casa das Rosas. “Um terço da propriedade foi cedido para empreendimento imobiliário e dois terços para o centro cultural", explica o professor Carlos Faggin. Feita com os melhores materiais — boa parte importada —, a casa até hoje conserva a boa estrutura e os traços do classicismo inglês, típicos dos projetos de Azevedo.

- Casarão da Dona Yayá
Rua Major Diogo, 353 - Bela Vista
Famoso pela lenda que assombra o local, o endereço popularmente conhecido como a Casa da Dona Yayá era uma chácara de quase um alqueire que sofreu algumas transformações. O local foi loteado, passou por pelo menos três famílias e chegou a abrigar um pequeno hospital psiquiátrico, segundo a professora da FAU-USP Maria Lúcia. "A última moradora foi Sebastiana de Mello Freire, a Yayá, diagnosticada com alguns problemas psicológicos. Por isso, foi construída uma espécie de clínica na casa", explica. Segundo Maria Lúcia, o trauma provocado pela perda de parentes próximos, desestabilizou a mulher de tal forma que ela nem podia sair mais de seus cômodos. Como nunca se casou, não tinha herdeiros para deixar o imóvel. Em 1998, ele foi transferido para a USP por meio da herança vacante — na época, um bem era passado automaticamente para a instituição quando o morto não tinha parentes próximos. Desde 2004, a residência funciona como o Centro de Preservação Cultural — CPC da USP, que realiza eventos culturais no local.

Fonte da notícia:  Veja São Paulo


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