quinta-feira, 11 de abril de 2013

Casarão do Anastácio

visão de baixo para cima



















O Casarão do Anastácio foi erguido onde havia uma casa de taipa em pilão, que pertenceu à Marquesa de Santos. 

Ela, nascida Maria Domitila de Castro Canto e Melo, virou marquesa após se tornar mulher de Dom Pedro 1, a quem conheceu poucos dias antes da declaração da Independência do Brasil, em 1822. Anos depois, ela foi mulher do coronel Anastácio de Freitas Trancoso, que se destacou na vida social e política de São Paulo no século 19. Em 1856, foi vendido ao brigadeiro Tobias de Aguiar e à sua mulher, a marquesa de Santos. 



A fazenda do Anastácio está envolvida na história de São Paulo por via da Marquesa principalmente por compor o que hoje seria um reduto de Quilombo por honra de Domitila já que, segundo recentes descobertas, uma parte da região é composta por moradores que na sua origem poderiam ser protegidos da ilustre proprietária. 

Já que as terras da marquesa eram imensas e com certeza na sua origem delimitavam alguns bairros atuais da região. Domitila ao que se sabe era, além de abolicionista, admiradora da cultura afro-brasileira. Foi muitas vezes flagrada a “pitar” com os escravos que protegia. Embora sua construção não seja remanescente do século dezoito deveria, por história da região, fazer parte do itinerário histórico com restauração e preservação. 


Com a morte dos dois, os herdeiros venderam a área ao frigorífico da Companhia Armour do Brasil, que fez a edificação.  Em 1920 a construção recebeu a fachada atual em estilo chamado missões ou hispânico para servir o Club House do frigorífico Armour como local de lazer e recreação para os funcionários desta empresa.


O Casarão do Anastácio, que tem 92 anos, já serviu de hospedaria e lugar de criação e treinamento de cavalos. Quase foi incorporado a um parque municipal.


O atual proprietário -, a incorporadora norte-americana Tishman Speyer  - prometeu transformar o imóvel em um centro cultural público.






Tombado Casarão do Anástácio - Estadão

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Família Jafet, 125 anos em São Paulo



Quando o imperador d. Pedro II visitou o Líbano, em 1876, encorajou um grupo de libaneses a vir “tentar a sorte” no Brasil. Mais velho de seis irmãos, o professor universitário Nami Jafet ficou encantado com essa possibilidade, após se encontrar pessoalmente com o brasileiro. Onze anos mais tarde, os Jafets começavam a chegar a São Paulo.

Para comemorar os 125 anos de Brasil, os cerca de 600 descendentes dos primeiros Jafets que aportaram no País vão se reunir no próximo sábado para um almoço – fechado para convidados – no Clube Monte Líbano, na zona sul. “Os Jafets todos são bons, têm bom coração. Queremos beneficiar o mundo com o coração, não só com o dinheiro”, afirma a matriarca da família, Violeta Jafet, de 104 anos – que será a grande homenageada da festa.

O primeiro Jafet
O primeiro dos irmãos da família a chegar ao Brasil foi Benjamin, em 1887. Ele trouxe produtos europeus, a maioria deles adquirida em Marselha, na França, e passou por diversas cidades mascateando. No mesmo ano, se estabeleceu na cidade de São Paulo, onde abriu a primeira loja da colônia árabe na Rua 25 de Março. No ano seguinte, ganhou a companhia de seu irmão Basilio – que é o pai de Violeta.

Mas o império da família seria construído na região do Ipiranga. “Era uma época em que aquela região tinha apenas mato. Eles compraram uma área enorme, 120 mil metros quadrados”, conta o engenheiro civil Benjamin Jafet Neto, de 75 anos. Era 1906 e nascia a Fiação, Tecelagem e Estamparia Ipiranga Jafet.

Dali em diante, a história da família passou a ser parte da história do desenvolvimento paulistano. Hoje, a cidade tem mais de dez ruas com nomes de integrantes da família. Eles construíram parques, igrejas, escolas, casas para centenas de funcionários e suntuosos casarões. Um deles é o palacete de Basilio, na Rua Bom Pastor – com vitrais em estilo art nouveau, pisos marchetados e mármores Carrara espalhados por seus 50 cômodos.

A família Jafet foi fundamental na fundação do Clube Sírio, Clube Atlético Monte Líbano, do Clube Monte Líbano do Rio, da Liga das Senhoras Ortodoxas, da Igreja Ortodoxa Antioquina do Brasil e da Catedral Metropolitana Ortodoxa, entre outras instituições.

Construções no Ipiranga

Os Jafets também estiveram por trás das obras de tratamento das águas do Rio Tamanduateí, da construção de quatro pavilhões do Hospital Leão XIII – atual São Camilo – e da construção da Escola Cardeal Motta. Nem a ciência foi esquecida: após sua morte, Basilio Jafet legou parte de seu patrimônio à Universidade de São Paulo (USP).

Sem dúvida, o principal marco da família é o Hospital Sírio-Libanês, reconhecido pela excelência até hoje. Em 1921, a libanesa Adma Jafet – mãe de Violeta – reuniu 27 mulheres da comunidade árabe em sua casa, no Ipiranga, para criar um hospital. Nascia a Sociedade Beneficente de Senhoras do Sírio-libanês. Dois anos depois, foi comprado o terreno. Em 1931, a pedra fundamental da obra era lançada.

Adma não conseguiu ver a instituição pronta, seu sonho realizado. O Sírio-libanês foi inaugurado em 1961, sob a presidência de Violeta Jafet – que ocupou o cargo por 50 anos. Hoje, ela é presidente de honra e também integra o conselho da instituição.

Categoria: Patrimônio
EDISON VEIGA

Fonte da Notícia: Estadão



Ver Casas Históricas Paulistanas num mapa maior
Ver Casas Históricas Paulistanas num mapa maior

sexta-feira, 20 de julho de 2012

De casarão a centro cultural

 A revista Veja São Paulo, na sua edição de nº 2278, de 19/07/12, fez matéria sobre antigas casas que viraram Centros Culturais, locais que foram listados neste blog há tempos. 

Faltaram o Casarão do Belvedere, do meu amigo Paulo Goya, que há anos está tentando captar recursos para restaurar o imóvel que pertenceu a sua família; a antiga Casa de Ramos de Azevedo que não é um centro cultural, funciona a editora Global, mas está impecável na sua preservação; a casa da família Buarque de Hollanda no Pacaembú, entre outros lugares.

A notícia boa, que talvez o imóvel que pertenceu a familia Franco de Mello, de 1919, poderá se transformar no Museu Maurício de Souza. Tomara!!!!


Enquanto isso o Palacete do Barão do Rio Pardo,  na Alameda Barão de Piracicaba, nos Campos Elíseos, está caindo aos pedaços, sem telhado, já desabou uma parte. Alô, Alô Conpresp e Condephaat. Cadê o Ministério Público, fazer valer esta preservação?

 

Campos Elíseos 

Foto: Hélio Bertolucci Jr., feita em dezembro de 2009 




  
 Reprodução: Google Street View, janeiro de 2011


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Conheça construções famosas em São Paulo que foram transformadas em museus e espaços de atividades artística.


Anna Carolina Oliveira | 14/07/2012

Casarão tombado - Casarão da Avenida Paulista-Futuro: o destino do endereço está em fase de negociação
Futuro: o destino do endereço está em fase de negociação
Reprodução

Tombado em 1992, o palacete instalado no número 1919 da Avenida Paulista foi construído em 1905 e passou por algumas gerações da família Franco de Mello. Hoje, outros já estão de olho no espaço. Trata-se de Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, personagens da turma de Mauricio de Sousa.

O destino do endereço ainda está em negociação, mas a ideia é transformá-lo em um museu, com arte original, revistinhas e brinquedos. "A [avenida] Paulista tem poucas opções para crianças. Queremos inaugurar um espaço que atraia esse público e o incentive a visitar outros acervos, como o do Masp", afirma Jacqueline Mouradian, curadora da Mauricio de Sousa Produções. Com a recente decisão na Justiça que obriga o Estado de São Paulo a indenizar pelo tombamento do casarão a família proprietária, o projeto está em espera. Se o acordo com o cartunista for fechado, o local passará por uma grande reforma, preservando a fachada e estrutura do imóvel. "A conclusão de todo o projeto levaria cerca de seis anos", explica Jacqueline.
Esta não é a primeira vez que uma construção antiga de São Paulo ganha um fim cultural. Outras passaram pelo mesmo processo de tombamento e tiveram a fachada conservada, com o interior completamente transformado.


Conheça, abaixo, três casarões e uma residência histórica que receberam novas funções:

- Casa da Rua Lopes Chaves
Rua Lopes Chaves, 546 - Barra Funda
O que hoje funciona como a Oficina da Palavra Casa Mário de Andrade, espaço de atividades artísticas e culturais, deveria, na verdade, abrigar um acervo completo do escritor modernista. Quando tombada em 1975, a propriedade tinha o objetivo inicial de ser transformada em uma casa-museu. "Infelizmente, os móveis originais e outros pertences foram doados, então não foi possível concretizar o projeto", explica Carlos Augusto Mattei Faggin, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e conselheiro do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico — CONDEPHAAT. Ao contrário de outros casarões, a moradia do artista estava instalada em um bairro popular. "A casa é geminada e de estilo mais simples, porém tem um valor simbólico grande para São Paulo. Mário de Andrade viveu quase toda a sua vida lá", afirma o também arquiteto e urbanista.

- Casarão da Alameda Cleveland
Alameda Cleveland, 601 - Campos Elíseos
Desde a sua construção, em 1890, a estrutura que abriga atualmente o Museu da Energia já passou por muitas mãos. As mais importantes foram a de seu segundo proprietário, Henrique Santos Dumont. O irmão do famoso inventor do avião comprou o lugar em 1894. "O próprio Alberto Santos Dumont passou uma temporada na residência", conta Maria Lucia Bressan Pinheiro, professora de História da Arquitetura na FAU-USP. Naquela época, o casarão era considerado nobre, pois estava situado no primeiro bairro de luxo da cidade, "Campos Elíseos", uma homenagem à célebre avenida francesa Champs-Elysées. Depois de ficar abandonado e até ser invadido por mendigos, o palacete foi tombado em 2002 e hoje é responsabilidade da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo.

- Casarão da Avenida Paulista
Avenida Paulista, 37 - Paraíso
A construção é uma das muitas de autoria de Ramos de Azevedo, renomado arquiteto paulistano. A diferença é que a obra tem um valor sentimental: foi um presente de casamento para sua filha Lúcia e o genro Ernesto Dias de Castro. Quando tombado em 1985, o imóvel teve sua área dividida e o terreno com a residência passou a abrigar a Casa das Rosas. “Um terço da propriedade foi cedido para empreendimento imobiliário e dois terços para o centro cultural", explica o professor Carlos Faggin. Feita com os melhores materiais — boa parte importada —, a casa até hoje conserva a boa estrutura e os traços do classicismo inglês, típicos dos projetos de Azevedo.

- Casarão da Dona Yayá
Rua Major Diogo, 353 - Bela Vista
Famoso pela lenda que assombra o local, o endereço popularmente conhecido como a Casa da Dona Yayá era uma chácara de quase um alqueire que sofreu algumas transformações. O local foi loteado, passou por pelo menos três famílias e chegou a abrigar um pequeno hospital psiquiátrico, segundo a professora da FAU-USP Maria Lúcia. "A última moradora foi Sebastiana de Mello Freire, a Yayá, diagnosticada com alguns problemas psicológicos. Por isso, foi construída uma espécie de clínica na casa", explica. Segundo Maria Lúcia, o trauma provocado pela perda de parentes próximos, desestabilizou a mulher de tal forma que ela nem podia sair mais de seus cômodos. Como nunca se casou, não tinha herdeiros para deixar o imóvel. Em 1998, ele foi transferido para a USP por meio da herança vacante — na época, um bem era passado automaticamente para a instituição quando o morto não tinha parentes próximos. Desde 2004, a residência funciona como o Centro de Preservação Cultural — CPC da USP, que realiza eventos culturais no local.

Fonte da notícia:  Veja São Paulo


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Casa da família Nemirovsky, Jardim América






A casa da família Nemirovsky ficava na Rua Guadalupe, 778 e foi demolida em 2005. Este é o fio de uma história arquitetônica que não consegui levantar.

Porque será que demoliram esta residência, localizada em um bairro de classe alta? Uma Fundação, foi criada em 1987 para preservar o acervo de obras de arte da família e com certeza poderiam ter mantido na casa da Rua Guadalupe. Algo a complementar esta história algum dia.

Fiquei sabendo da existência desta casa, quando visitei a exposição do acervo da família Nemirovsky "A casa da Rua Guadalupe", na Estação Pinacoteca, localizada onde foi o antigo Dops, no ano de 2012.


Quem foram:




José e Paulina Nemirovsky


José foi médico, empresário, pintor, poeta e colecionador de arte. Nasce em Buenos Aires e cresce no Rio de Janeiro, formando-se em medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha. Em 1941, em visita a São Paulo, conhece Paulina Pistrak. Casam-se em 1943. O casal fixa residência na capital paulista, morando, a partir de 1975, na casa projetada pelo amigo e arquiteto Jorge Zalszupin. Situada à rua Guadelupe, no aprazível bairro do Jardim América, a casa é sinônimo de arte e bem viver.

Por mais de trinta anos, essa arquitetura incomum, feita de paredes curvas em alvenaria e tetos moldados em concreto aparente, acolhe o melhor do modernismo brasileiro, pondo pinturas como as de Tarsila e Volpi ao lado de imagens de arte sacra, o Bicho, de Lygia Clark, junto a peças de artesanato popular, e vasos de Gallé e Lalique misturados a recordações de viagens e fotos de família.

Fonte das pesquisas:

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 Fundação José e Paulina Nemirovsky

A Estação Pinacoteca abriga a Coleção Nemirovsky, um dos mais importantes acervos de arte moderna do país, fruto de um acordo de cooperação técnica entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação José e Paulina Nemirovsky, que permitiu sua instalação no edifício. O Centro de Documentação e Memória da Pinacoteca do Estado (Cedoc) e a Biblioteca Walter Wey, que apresenta um significativo acervo de artes visuais – com destaque para arte brasileira –, funcionam no primeiro andar da Estação Pinacoteca.




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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Casa do Mazzaropi, Santa Cecilia (Centenário de nascimento)

Casa de Mazzaropi resiste após 100 anos .No prédio na Santa Cecília, resquícios do passado de Jeca se mesclam ao que restou das invasões. 

Stefhanie Piovezan
“Meu nome é Amácio Mazzaropi e não Amâncio. Nasci ali na Rua Vitorino Carmilo, nº 5, em 1912, e fui batizado na Igreja de Santa Cecília”. Esse é apenas um trecho de uma breve descrição que Mazzaropi fazia de si mesmo, mas por essa passagem já é possível notar o carinho que um dos maiores atores, produtores, diretores e empresários do cinema nacional tinha com sua origem. O mais caipira dos brasileiros era paulistano. E com muito orgulho.


“Quando meu pai estava doente, costumávamos passear de carro e ele, como eterno contador de histórias, fazia questão de me contar sua trajetória e falar sobre os locais em que viveu. Um dia, me mostrou a casa na Vitorino Carmilo e ficou triste ao perceber que as residências ao lado estavam sendo demolidas. Ele amava essa cidade. Era para São Paulo que ele voltava após cada viagem”, diz André Mazzaropi, um dos cinco filhos de criação do artista que se imortalizou como Jeca.

Segundo André, após a morte de Mazzaropi, em 1981, vítima de câncer na medula, ele voltou ao casarão e conversou com a antiga proprietária. “Ela me disse que era uma pena não termos a procurado antes porque seu marido sabia que meu pai havia nascido ali e tinha intenção de vender o imóvel para ele. Sozinho, eu não tinha como comprar a casa”, afirma. De lá para cá, o imóvel mudou de número, abrigou uma empresa de compressores, foi invadido e vendido para um novo proprietário, que deu início a uma pequena reforma na parte interna.

Nos últimos anos, em prol do centenário de nascimento do pai, comemorado no próximo dia 9, André solicitou o tombamento do prédio da Santa Cecília junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e ao Ministério da Cultura. A intenção é transformar o espaço em um centro de divulgação da obra e, principalmente, da vida de Mazzaropi. “Muitos poucos sabem como ele realmente era”.

De acordo com André, o pai era introvertido, não tinha amigos e apoiou a mãe, Clara, até o último dia de vida. Gostava de comer e viver bem e nutria um amor platônico por Hebe Camargo.

“A grande paixão dele foi o circo e o que realmente o fazia feliz era se apresentar no picadeiro ou espiar as filas que se formavam em frente aos cinemas, compostas por pessoas que queriam assistir a seus filmes”, afirma André. “Não é esse lado que os historiadores contam, mas é o que tenho vontade de preservar. Antes de se constituir como artista, ele se constituiu como pessoa.”

CENTENÁRIO/ Há anos, André leva pelos palcos o que aprendeu com o pai, na peça “O Filho do Jeca”, que será reapresentada na Galeria Olido (Avenida São João, 473), no Centro, no próximo dia 9. “A intenção era realizar uma grande homenagem, mas não há dinheiro para isso. Todos amam o Jeca, falam que é maravilhoso, mas quem ajuda depois? As autoridades parecem não ter memória.”

Ainda neste ano, André pretende lançar um livro com a história do pai e retomar a produção de longas pela PAM Filmes (Produções Artísticas Amácio Mazzaropi), empresa pela qual o grande comediante produziu 24 de seus 32 trabalhos no cinema e que foi reativada recentemente. “Ele tem um legado extraordinário. Não é possível que as pessoas não entendam que a maior riqueza de um povo é sua história”.

Fonte da notícia, Diário de SP


Quem foi:
 
 
 
 

Filho de Bernardo Mazzaroppi, imigrante italiano e Clara Ferreira, portuguesa, com apenas dois anos de idade sua família muda-se para Taubaté, no interior de São Paulo. O pequeno Amácio passa longas temporadas no município vizinho de Tremembé, na casa do avô materno, o português João José Ferreira, exímio tocador de viola e dançarino de cana verde. Seu avô também era animador das festas do bairro onde morava, às quais levava seus netos que, já desde cedo, entram em contato com a vida cultural do caipira, que tanto inspirou Mazzaropi[1] .

Em 1919, sua família volta à capital e Mazzaropi ingressa no curso primário do Colégio Amadeu Amaral, no bairro do Belém. Bom aluno, era reconhecido por sua facilidade em decorar poesias e declamá-las, tornando-se o centro das atenções nas festas escolares. Em 1922 morre o avô paterno e a família muda-se novamente para Taubaté, onde abrem um pequeno bar. Mazzaropi continua a interpretar tipos nas atividades escolares e começa a frequentar o mundo circense. Preocupados com o envolvimento do filho com o circo, os pais mandam Amácio aos cuidados do tio Domenico Mazzaroppi em Curitiba, onde trabalha na loja de tecidos da família[1] .

Já com quatorze anos, em 1926, regressa à capital paulista ainda com o sonho de participar em espetáculos de circo e, finalmente, entra na caravana do Circo La Paz. Nos intervalos do número do faquir, Mazzaropi conta anedotas e causos, ganhando uma pequena gratificação. Sem poder se manter sozinho, em 1929 Mazzaropi volta a Taubaté com os pais, onde começa a trabalhar como tecelão, mas não consegue se manter longe dos palcos e atua numa escola do bairro[1] .

Saiba mais:

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Centenário Mazzaropi

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sexta-feira, 16 de março de 2012

Casa da família Buarque de Hollanda, Rua Buri (atualizado 16/03/2012)

 Heloisa Buarque de Hollanda com os netos, Álvaro, Luiz, Miucha, Sergito, Teodoro, Jayme, Chico, Maria do Carmo, Ana Maria e Cristina no colo. Fonte


Construída há 94 anos, a casa da Rua Buri tem valor histórico e cultural para a cidade, porque foi nela que o historiador Sergio Buarque de Hollanda trabalhou, estudando e escrevendo, durante os últimos 25 anos de vida. Localizado na Rua Buri, 35, no Pacaembu, o imóvel foi declarado de utilidade pública pela prefeita Marta Suplicy no dia 11 de julho de 2002, comemoração do centenário de nascimento do historiador.

O imóvel, em terreno de mais de 600 metros quadrados, abrigará o Centro Cultural Sergio Buarque de Holanda – Discoteca da Música Brasileira.

 Crédito da imagem: Viva Pacaembú por São Paulo

Na casa, o mestre autor de Raízes do Brasil, escreveu seus textos. Dali saíram, para os festivais de MPB dos anos 60 e 70, os jovens Chico Buarque, Miucha, Cristina e Ana. Ali se reuniram os então jovens talentos. A batalha judicial deu-se porque uma ex-funcionária requereu nos tribunais o usucapião da propriedade. A família recebeu a desapropriação. Por enquanto a casa está com as janelas emparedadas, para evitar invasões e vandalismo.







Os meninos da Rua Buri, do jornalista Claudio Renato



Fontes:

Viva Pacaembú

Margarita sem Censura 

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Restaurada

As paredes já receberam nova camada de tinta e o piso voltou à cor original. No entanto, os cômodos da casa da rua Buri, no Pacaembu, zona oeste, que pertenceu à família Buarque de Holanda, continuam vazios.
Comprado pela prefeitura em 2007, o imóvel foi reformado e aguarda a instalação do Centro de Referência em Estudos de Educação. As obras, que custaram R$ 403 mil, duraram quatro meses e terminaram em dezembro. Porém, segundo a Secretaria Municipal de Educação, ainda não há data para que o espaço ganhe nova função. 

Isadora Brant/Folhapress
Fachada da casa que foi dos Buarque de Holanda, na rua Buri, no Pacaembu; mesmo reformado, imóvel segue sem uso
Fachada da casa que foi dos Buarque de Holanda, na rua Buri, no Pacaembu; mesmo reformado, imóvel segue sem uso.


De acordo com a pasta, o modelo do centro de estudos, que deverá ser aberto ao público, está em desenvolvimento. A ideia é fomentar a pesquisa aplicada em educação. Para lá, deve ser transferida toda a documentação da secretaria, hoje na Vila Mariana. 

Quando a prefeitura adquiriu a casa, cogitou-se fazer ali um centro cultural, mas o plano não saiu do papel.
A construção feita de tijolos maciços e pedras recebeu em 1957 o historiador Sérgio Buarque de Holanda, sua mulher e os setes filhos, entre eles Chico Buarque. Após a morte de Sérgio, em 1982, uma ex-babá ficou no local.
Nas mãos da prefeitura, a casa recebeu corrimãos nas escadas externas e grades na fachada --para evitar invasões como a de janeiro de 2011, quando estudantes protestaram contra "soluções urbanísticas, arquitetônicas e sociais no governo Lula". 






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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Casa de Mario de Andrade, Barra Funda

Rua Lopes Chaves


Mário Raul Moraes de Andrade nascu em São Paulo em 9 de outubro de 1893, na casa da rua Aurora, 320, Centro da cidade. Segundo filho de Carlos Augusto de Andrade, jornalista e tipógrafo vindo de família humilde e de Maria Luíza Leite Moraes, segunda filha de seu antigo patrão Joaquim de Almeida Leite Moraes, professor da Faculdade de Direito de São Paulo e político oriundo de tradicional família local.

Em 1896 a família de Mário muda-se para o Largo do Paissandú, 26, um sobrado construído por Carlos Augusto após a morte do sogro em 1895. A madrinha de Mário, Ana Francisca, irmã mais nova de sua mãe, passa a morar com eles e continuará em companhia da família por toda a vida. Para a casa ao lado, muda-se outra tia, Isabel, e seus filhos. "Essa vizinhança proporcionará a Mário e seus irmãos infância e juventude cheia de primos e outros parentes. Ao pessoal de São Paulo juntavam-se, periodicamente, primos de Araraquara, da família de Cândido Lourenço Correia da Rocha, marido de tia Isabel."1896 - A família de Mário muda-se para o Largo do Paissandú, 26, um sobrado construído por Carlos Augusto após a morte do sogro em 1895. A madrinha de Mário, Ana Francisca, irmã mais nova de sua mãe, passa a morar com eles e continuará em companhia da família por toda a vida. Para a casa ao lado, muda-se outra tia, Isabel, e seus filhos. "Essa vizinhança proporcionará a Mário e seus irmãos infância e juventude cheia de primos e outros parentes. Ao pessoal de São Paulo juntavam-se, periodicamente, primos de Araraquara, da família de Cândido Lourenço Correia da Rocha, marido de tia Isabel."

Em 1921 Mário muda-se com a família para a rua Lopes Chaves, na Barra Funda. A Casa Mário de Andrade é o um imóvel na cidade de São Paulo tombado pelo CONDEPHAAT e CONPRESP.

O imóvel sito à rua Lopes Chaves, 546 na Barra Funda, projetado por Oscar Americano no início da década de 1920, é um sobrado geminado em estilo eclético, em alvenaria de tijolos.

Atualmente pertence à Secretaria de Estado da Cultura e desde 1990 funciona como a Oficina da Palavra, cuja programação é voltada para o teatro e literatura.


Quem foi:



Foi um poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo e ensaísta brasileiro. Foi um dos criadores do modernismo no Brasil.

Nascido em São Paulo, em meios aristocráticos, foi na música que Mário de Andrade começou sua carreira artistica, se formando em Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde seria professor de História de Música.

Seu contato com a literatura começou cedo, em críticas escritas para jornais e revistas. Publicou o primeiro livro assinado com o pseudônimo Mário Sobral: "Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema" (1917).

Junto com Oswald e outros intelectuais, Mário ajudou a preparar a Semana de Arte Moderna de 1922, onde ganhou notoriedade. Respirou como ninguém os ares do novo movimento, vindo a publicar Paulicéia Desvairada (1922), o primeiro livro de poesias do Modernismo.

"Amar, Verbo Intransitivo" (1927), foi o seu primeiro romance.



Fontes:


Wikipedia


História e Cultura


Pensador UOL


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